engavetado(a)(s) no momento... ««Das Gavetas do Quarto»»
««Das Gavetas do Quarto»»
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
 
Campanha

Por favor, alguém me ajuda a encontrar meu celular? Ligue(m) à vontade em horários variados para 8138-3867, depois, se alguém (ou alguma voz do além) atender, peça(m) encarecidamente para me devolver o telefone. ;-)
Desde ontem meu celular sumiu. Saí de casa e na rua senti sua falta: "Ah, deixei em casa, claro" – pensei. Cheguei... e nada.
Não sei o que pode ter acontecido. Meu irmão acha que fui assaltada e não quero contar. Alguém tem uma idéia melhor? ;-)

( 12:22:33 AM ) Desengavetado por Someone #


Comments:




Domingo, Fevereiro 19, 2006
 
Seis personagens à procura de um autor, Luigi Pirandello (1867-1936)

Em linhas bem gerais: um diretor de teatro está ensaindo uma peça com os seus atores, até que seis personagens (Pai, Mãe, Filho, Enteada, Rapazinho e Menina) "invadem" o ensaio e tentam convencer o diretor de que a história de suas vidas é um drama muitíssimo interessante. Com alguma relutância, o diretor resolve ouvi-los. Depois, chama seus atores e pede para que estes representem "os personagens".
Como prometi, alguns trechos. A ordem só foi respeitada quando aparece mais de uma fala sem o traço central para separar.
______

Pai: Isso mesmo, [seis personagens] desperdiçados! (Ao diretor) No sentido de que o autor que nos criou vivos não quis, em seguida, ou não pôde, materialmente, colocar-nos no mundo da arte. E foi um verdadeiro crime, porque quem tem a ventura de nascer personagem vivo pode rir até da morte. Não morre! Morrerá o homem, o escritor, instrumento da criação; a criatura não morre nunca! E, para viver eternamente, nem sequer precisa possuir dotes extraordinários ou realizar prodígios. Quem era Sancho Pança? Quem era Dom Abbondio? No entanto, eles vivem na eternidade, porque, germes vivos, tiveram a felicidade de encontrar a matriz fecunda, a eternidade!
______

Pai: Sim, frases! Como se não fosse o consolo de todos, diante de um fato inexplicável, diante de um mal que nos aflige, encontrar uma palavra que não diz nada e nos apazigua!
______

Pai: Mas todo o mal está nisso! Nas palavras. Todos trazemos dentro de nós um mundo de coisas: cada qual tem o seu mundo de coisas! E como podemos entender-nos, senhor, se, nas palavras que eu digo, coloco o sentido e o valor das coisas como são dentro de mim, enquanto quem as ouve lhes dá, inevitavelmente, o sentido e o valor que elas têm para ele, no mundo que traz consigo? Achamos que nos entendemos... e nunca nos entendemos! Veja: a minha compaixão, toda a minha compaixão por esta criatura (aponta a Mãe), ela a considerou a mais terrível das crueldades!
______

Pai: Se nos fosse dado prever todo o mal que pode nascer do bem que pensamos fazer!
______

Pai: (...) Senhor, cada um se veste com a sua dignidade por fora, diante dos outros; mas dentro de si sabe muito bem tudo de inconfessável que se passa no seu íntimo. Nós cedemos à tentação, para reerguer-nos logo depois, Deus sabe como!, com grande pressa de recompor, inteira e sólida, como quem coloca uma pedra sobre um túmulo, a nossa dignidade, que oculta e sepulta aos nossos próprios olhos todo sinal e até mesmo a lembrança da vergonha! É assim com todos! O que falta é apenas a coragem de dizer certas coisas!
______

Pai: E a mulher... sim, a mulher, em verdade, como é? Ela nos olha, provocante, convidativa... E quando a agarramos, mal a apertamos contra nós, fecha logo os olhos. É o sinal da sua submissão. O sinal com que diz ao homem: 'Fique cego; eu estou cega!'.
______

Pai: Para mim, o drama está todo nisso: na convicção que tenho de que cada um de nós julga ser 'um', o que não é verdade, porque é 'muitos'; tantos quantas são as possibilidades de ser que existem em nós: 'um' com este; 'um' com aquele, completamente diferentes! E, no entanto, com a ilusão de ser sempre 'um para todos', e sempre 'aquele um' que acreditamos ser em cada ato nosso. Mas não é verdade! Percebemos bem isso quando, em quaisquer de nossos atos, por um acontecimento infeliz, ficamos como enganchados e suspensos e nos damos conta de não estarmos por inteiro naquele ato e que seria, portanto, uma terrível injustiça julgar-nos só por isso, manter-nos enganchados e suspensos no pelourinho durante uma vida inteira, como se toda ela se resumisse naquele ato!
______

Filho: Acredite, senhor, acredite que sou um personagem não 'realizado' dramaticamente, e que estou mal, muitíssimo mal, na companhia deles! Deixem-me sossegado!
______

Pai: Não, senhor: apenas o que cada qual representa, no papel que escolheu ou que os outros lhe deram na vida. E depois, em mim, é a própria paixão que se torna sempre, por si mesma, um pouco teatral, como em todos...
______

Diretor: Certo, 'os personagens'. Mas, aqui, meu caro senhor, quem representa não são os personagens. Quem representa aqui são os atores. Os personagens ficam ali, no texto (indica a caixa do ponto)... quando existe um texto!
______

Pai: (...) Mas o senhor faça como quiser. Não sei mais o que dizer... Já estou começando a ouvir as minhas próprias palavras como se soassem falsas, com outro som...
______

Pai: Não temos a nossa expressão?
Diretor: De jeito nenhum! Aqui ela se torna matéria à qual dão corpo e aspecto, voz e gesto, os atores que, não se esqueça, têm sabido dar expressão a matérias bem mais elevadas. A de vocês é tão pequena que, caso se mantenha em cena, o mérito será totalmente dos meus atores.
______

Pai: Exatamente, os atores! E os dois interpretam bem os nossos papéis. Mas acredite que a nós parece outra coisa, que quer ser a mesma e, contudo, não é.
______

Diretor: (...) Como seria cômodo se cada personagem pudesse, num lindo monólogo, ou... sem mais nem menos... numa conferência, vir despejar, diante do público, tudo o que ferve no seu íntimo! (...)
______

Pai: Um personagem, senhor, pode sempre perguntar a um homem quem ele é. Porque um personagem tem, verdadeiramente, uma vida sua, assinalada por caracteres próprios, em virtude dos quais é sempre 'alguém'. Enquanto um homem, não me refiro ao senhor agora, um homem, assim, em geral, pode não ser ninguém.
______

Pai: Oh! Nada, senhor. Fazê-lo ver que, se nós (indica-se e aos outros Personagens, a não ser a ilusão, não temos outra realidade, é conveniente que o senhor também desconfie da sua realidade, dessa que o senhor hoje respira e toca em si, porque, com a de ontem, está destinada a que amanhã descubra que não passa de ilusão!
Diretor (resolvendo levar na brincadeira): Muito bem! E, diga, ainda mais que, com esta peça que vem representar aqui, diante de mim, o senhor é mais real e verdadeiro do que eu!
Pai (com muita sinceridade): Quanto a isso não há dúvida alguma, senhor!
______

Pai: Mas a nossa [realidade] não [muda]! Está vendo? A diferença é esta! Não muda, não pode mudar, nem ser outra, nunca, porque já está fixada para sempre (é terrível senhor!), esta realidade imutável, que devia fazê-los arrepiar ao se aproximarem de nós!
______

Pai: Jamais viu, senhor, porque os autores costumam ocultar os tormentos da sua criação. Quando os personagens são vivos, de fato vivos, diante do seu autor, este não faz outra coisa a não ser segui-los, nas palavras, nos gestos que eles lhe propõem. E é necessário que ele os queira como eles querem ser; e ai dele se não fizer isso! Quando um personagem nasce, adquire logo tal independência, até mesmo em relação ao seu autor, que pode ser imaginado por todos, em outras várias situações, nas quais o autor nem pensou colocá-lo, e adquirir também, às vezes, um significado que o autor jamais lhe pensou dar!
______

Filho: Foi ele que quis vir, arrastando-nos a todos e prestando-se até a combinar lá, junto com o senhor, não só o que realmente aconteceu, mas, como se não bastasse, o que nunca se passou!...

( 5:57:53 PM ) Desengavetado por Someone #


Comments:




Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
 
Tempestade à vista

Hoje terminei de ler Seis personagens à procura de um autor, a única coisa boa do dia. Depois ponho alguns trechos por aqui, aliás, esse era meu propósito inicial, até digitei os mais interessantes, mas fica para outro post.
Se fosse escolher uma palavra para caracterizar os últimos dias, ficaria em dúvida entre cansaço e desânimo. Quando se está cansado, pelo menos sobra alguma disposição para fazer coisas que dão algum tipo de prazer. Deixei todos os meus desejos e vontades em segundo plano, falta de ânimo para tudo. Não vi os filmes que gostaria, não assisti à peça alguma, pelo menos Pirandello me consolou. A leitura da peça ocupou-me a tarde de ontem e a de hoje, quando poderia tê-la lido em apenas um dia, mas, diante do meu estado, até que foi uma proeza. Queria ter lido mais alguma peça, grega, de preferência, mas voltou o cansaço... Entreguei-me a ele e a um pouquinho de mau humor...

( 12:11:14 AM ) Desengavetado por Someone #


Comments:




Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
 
Vozes da infância

Ontem minha cunhada foi assaltada... Minha sobrinha, hoje, conversando com a minha mãe, disse algo parecido com: "Vó Dinha, a gente tem que seguir o ladrão para falar com a mãe dele que ele não pode fazer isso, ela tem que brigar com ele". :-)

( 12:34:19 PM ) Desengavetado por Someone #


Comments:




Domingo, Fevereiro 12, 2006
 
Distração
(Christiaan Oyens e Zélia Duncan)

Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha

Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Hoje eu quero encontrar você

Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não ri de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade

(Dedicada ao irmão Luiz Otávio)

( 1:05:58 PM ) Desengavetado por Someone #


Comments:




Sábado, Fevereiro 11, 2006
 
Sonho

Essa noite sonhei com uma ex-namorada. Culpa da Naivefire, que ontem resolveu fazer uma análise tipológica das pessoas que já namorei. Apesar das obviedades, nunca havia parado para pensar. Realmente as semelhanças são grandes, não de personalidade. Naivefire também apareceu no sonho, na verdade, foi quem identificou a "figura". Por um instante pensei em me esconder, mas logo desisti da idéia. Segundos depois, além de nós duas, meus pais e avós apareceram na casa dela (só em sonho mesmo). Lá, a atual namorada, parentes e amigos me cumprimentaram. Acordei com uma vontade absurda de dizer-lhe um milhão de coisas que não disse oniricamente. Como a coragem é inexistente, mandei-lhe um e-mail com o relato onírico y otras cositas más. Antes que me dêem uma bronca, não escrevi nada de mais, tá? :-P
Engraçado: quando penso em tudo o que já vivi (nossa, até parece que foi muuuuita coisa), parece que estou namorando pela primeira vez agora.

( 1:13:21 PM ) Desengavetado por Someone #


Comments:


 
Atendendo a pedidos, aqui estou...

Um fato: não sinto mais a necessidade de escrever neste espaço. Não é porque todos desapareceram, pois antes, mesmo sem sistema de comentários, minha necessidade de deixar externações linerares falava mais alto e eu sempre escrevia. Agora, não sei o que acontece. Faltam-me disposição, vontade, paciência, desejo, enfim, falta tudo. Porém, enquanto ainda restarem parcos leitores interessados, Someone fará uma forcinha... Afinal, sempre acaba sendo bom: saem coisas não planejadas que por vezes me causam muita surpresa. Oh! :-P

( 1:03:10 PM ) Desengavetado por Someone #


Comments:




Powered by Blogger

O objetivo deste blog é desengavetar – pensamentos, idéias, reclamações, lamentos, pessoas, poemas, histórias de vida (minha e alheia) –, trazer à tona, tirar das gavetas do quarto, da vida, do cérebro, ou de qualquer outro compartimento, alguma coisa (in)útil.

Onde engavetar: E-mail.

Blogs: Agência Matrimonial Alguma Coisa A equilibrista Filmes GLS ou Quase Mafalda Crescida Quelque Chose Sândalo Branco Sede em frente ao mar Unânime

Fotologs: Alguma Coisa Danijales Dezinha How to (dis)appear completely Momentos... Naivefire Rimas pobres e imagens...

Tire todas as suas dúvidas sobre blogs.

Já saiu da gaveta: